Carlinhos Brown/Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Cézar Mendes
Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade
Um lugar pro coração pousar
Um endereço que frequente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão
Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar
Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir
Dentro
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
TRANQUILA
BEBEL GILBERTO
Tranquila
Levo a vida tranquila
Não tenho medo do mundo
Não tenho medo do mundo
Não vou me preocupar
Não vou me preocupar
Tranquila
Levo a vida tranquila
Não tenho medo da morte
Não tenho medo da morte
Não vou me preocupar
Não vou me preocupar
Que passe por mim a doença
Que passe por mim a pobreza
Que passe por mim a maldade, a mentira e a falta de crença
Que passe por mim olho grande
Que passe por mim a má sorte
Que passe por mim a inveja, a discórdia e a ignorância
Tranquila
Levo a vida tranquila
Que me passe
A doença que me passe
A pobreza que me passe
A maldade que me passe
Que me passe
Olho grande que me passe
A má sorte que me passe
A inveja que me passe
A tristeza da guerra
Tranquila
Levo a vida tão tranquila
Não tenho medo da morte
Não tenho medo da morte
Não vou me preocupar
Não vou me preocupar
Tranquila
Levo a vida tranquila
Não tenho medo do mundo
Não tenho medo do mundo
Não vou me preocupar
Não vou me preocupar
Tranquila
Levo a vida tranquila
Não tenho medo da morte
Não tenho medo da morte
Não vou me preocupar
Não vou me preocupar
Que passe por mim a doença
Que passe por mim a pobreza
Que passe por mim a maldade, a mentira e a falta de crença
Que passe por mim olho grande
Que passe por mim a má sorte
Que passe por mim a inveja, a discórdia e a ignorância
Tranquila
Levo a vida tranquila
Que me passe
A doença que me passe
A pobreza que me passe
A maldade que me passe
Que me passe
Olho grande que me passe
A má sorte que me passe
A inveja que me passe
A tristeza da guerra
Tranquila
Levo a vida tão tranquila
Não tenho medo da morte
Não tenho medo da morte
Não vou me preocupar
Não vou me preocupar
sábado, 29 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
DUAS ÁGUAS - DOIS CAMINHOS

São duas "águas" que andam juntas
Lado a lado
Mas não se misturam
Caminham na mesma direção.
São duas "águas" de cores diferentes
Com composições diferentes
Mas continuam sendo "água"
Água de rio, água doce...
Por que não se misturam?
Como todas as outras "águas" no mundo?
Prefiro não achar respostas
Não sou cientista
Prefiro ser somente amante de rara beleza
Assim como prefiro não entender as pessoas
Só observá-las.
Luana Valgas.
POEMA EM LINHA RETA
Poema em linha reta
Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
domingo, 3 de maio de 2009
O TRAJETO DE VOLTA PRA CASA
Depois de um dia de serviço puxado, com encontros com marceneiro, clientes, aprovação de projetos e materiais, enfrentei mais um engarrafamento de volta pra casa.
No carro, com os vidros fechados para evitar o vento frio que começa a soprar aqui em BH, eu ainda ria sozinha dos papos engraçados que rolaram no happy hour com as minhas amigas. Como ninguém é de ferro, resolvemos nos encontrar para conversar fiado tirando proveito do feriado do dia seguinte.
Dirijia tranquila apesar do corpo cansado. Como de costume procurei a lua. Queria conferir sua presença. E ela estava lá sorridente. Muito prata num céu muito preto! Linda!
Ouvia no rádio uma música comum, sem grandes emoções. Mas não troquei a estação e não estava a fim de procurar um cd para tocar. Estava simplesmente ouvindo a melodia, distraída.
Olhei pelo espelho do retrovisor interno e no carro atrás do meu havia um casal. Aí eu pensei(com aquela pontinha de inveja branca, confesso): "Véspera de feriado... Esse casal deve estar preparando um cineminha em casa, pipoquinha, coca-cola etc. Que delícia!"
Mas esse pensamento logo se dissipou através das luzes ofuscantes dos outros carros, buzinas, motoqueiros e todos esses "Srs. Volantes" dos dias atuais.
Olhei novamente para o retrovisor e o carro do casal ainda estava atrás de mim. Comecei a prestar mais atenção. E a cena que eu via naquele reflexo era: Um rapaz jovem sério, nervoso, que gesticulava com as mãos e falava de forma ríspida. A moça também jovem, estava com a cabeça apoiada no encosto do banco, olhando fixamente para a frente e não dizia nada, só ouvia. Ele acendeu um cigarro e continuou com os gestos nervosos e a discussão. Um momento depois a moça pôs uma das mãos em um lado do rosto e fechou os olhos. Assim permaneceu por alguns minutos. O rapaz, ainda mais irritado, mudou de faixa e tirou o carro detrás do meu arrancando apertado num espaço entre dois carros.
Que bom! Não precisei mais olhar aquela cena triste e pude valorizar muito o banco do passageiro vazio ao meu lado, a minha liberdade de não ter que ouvir ninguém e nenhuma discussão. Eu comigo mesma, ouvindo aquela música que não me agradava, mas que eu estava ouvindo por opção.
E ao chegar em minha casa, pude sim preparar uma sessão de cineminha (tudo bem, novelinha), mas tendo a companhia da família e um jantarzinho quentinho delicioso. Depois foi só entrar debaixo das cobertas, dormir e curtir o feriadão.
No carro, com os vidros fechados para evitar o vento frio que começa a soprar aqui em BH, eu ainda ria sozinha dos papos engraçados que rolaram no happy hour com as minhas amigas. Como ninguém é de ferro, resolvemos nos encontrar para conversar fiado tirando proveito do feriado do dia seguinte.
Dirijia tranquila apesar do corpo cansado. Como de costume procurei a lua. Queria conferir sua presença. E ela estava lá sorridente. Muito prata num céu muito preto! Linda!
Ouvia no rádio uma música comum, sem grandes emoções. Mas não troquei a estação e não estava a fim de procurar um cd para tocar. Estava simplesmente ouvindo a melodia, distraída.
Olhei pelo espelho do retrovisor interno e no carro atrás do meu havia um casal. Aí eu pensei(com aquela pontinha de inveja branca, confesso): "Véspera de feriado... Esse casal deve estar preparando um cineminha em casa, pipoquinha, coca-cola etc. Que delícia!"
Mas esse pensamento logo se dissipou através das luzes ofuscantes dos outros carros, buzinas, motoqueiros e todos esses "Srs. Volantes" dos dias atuais.
Olhei novamente para o retrovisor e o carro do casal ainda estava atrás de mim. Comecei a prestar mais atenção. E a cena que eu via naquele reflexo era: Um rapaz jovem sério, nervoso, que gesticulava com as mãos e falava de forma ríspida. A moça também jovem, estava com a cabeça apoiada no encosto do banco, olhando fixamente para a frente e não dizia nada, só ouvia. Ele acendeu um cigarro e continuou com os gestos nervosos e a discussão. Um momento depois a moça pôs uma das mãos em um lado do rosto e fechou os olhos. Assim permaneceu por alguns minutos. O rapaz, ainda mais irritado, mudou de faixa e tirou o carro detrás do meu arrancando apertado num espaço entre dois carros.
Que bom! Não precisei mais olhar aquela cena triste e pude valorizar muito o banco do passageiro vazio ao meu lado, a minha liberdade de não ter que ouvir ninguém e nenhuma discussão. Eu comigo mesma, ouvindo aquela música que não me agradava, mas que eu estava ouvindo por opção.
E ao chegar em minha casa, pude sim preparar uma sessão de cineminha (tudo bem, novelinha), mas tendo a companhia da família e um jantarzinho quentinho delicioso. Depois foi só entrar debaixo das cobertas, dormir e curtir o feriadão.
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