segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

NA MINHA OPINIÃO, FANTÁSTICO!

MURO BOM TEM CACO
POR FABRIZIO BARON

"Todo dia aparece uma nova conclusão sobre qualquer assunto. O que era bom hoje não é mais amanhã. Saudável pro método científico, a dúvida gera investigações que descartam uma idéia em prol de outra melhor. Esse processo se chama evolução, inimigo natural de tradicionalistas e religiosos. Porém, quando se pergunta algo sério para maioria dos políticos, a resposta é sempre em cima do muro. Confrontados em discussões polêmicas, relativizam tudo e não escolhem lado algum, pois não querem ser "desagradáveis". Uma opinião firme sobre, por exemplo, a questão da corrupção moral brasileira teria muito mais valor se fosse aplicada na prática. Enforcar ou envenenar um deputado filho da puta de vez em quando não seria extremismo, mas um ato de justiça na situação de emergência que vivemos. A seguir, algumas opiniões randomicamente sangradas e caídas do muro.

Enquanto se decide aonde vão os malditos e inúteis acentos gráficos das línguas latinas, alguém já leu todo o manual em inglês e inventou outro produto. Não fosse a língua inglesa, a revolução industrial não teria acontecido. A educação brasileira não prepara pessoas inteligentes, prepara vestibulandos estressados. Brasileiro é apaixonado por carro e odeia a vida, pois não sabe dirigir e morre por incompetência. Apenas sociólogos ainda creem que a má distribuição de renda seja o motor da violência. Israel é cercado por terroristas e é muitas vezes mais seguro que aqui.

O presidente do Irã é a prova da imortalidade da alma, no caso a de Hitler. O presidente do Brasil é uma alma brincalhona em cima dum muro sem caco de vidro. A questão agrária já não mais é uma causa social, mas um caso de polícia. Há 20 milhões de cães abandonados no pais pelo mesmo motivo de existirem milhões de favelados: nada é feito em tempo e com energia. O muro de Berlim tinha dois lados: um progressista e outro igual ao Fórum Social Neanderthal. A divisão de classes brasileira é mantida por playbas que não se importam em pagar três vezes mais por qualquer coisa que lá fora é acessível a todos. O transporte público daqui é perigoso, lento e poluidor, pois utiliza diesel com alta concentração de enxofre. Pela força do cinema, mil anos de história alemã ficaram manchados por alguns anos de imbecilidade nazista. Todas as religiões foram criadas por pessoas de saúde mental discutível. Jesus provavelmente não existiu, pois mulheres virgens não dão cria. Em nome de qualquer deus já se matou toda a humanidade inúmeras vezes.

Qualquer concurso de beleza que aceita mulher plastificada não tem validade lógica alguma. Nunca existiram comediantes internacionais que fossem brasileiros pois nossa própria realidade é uma comédia de humor negro e ruim. Pseudociências como astrologia, numerologia, tarot e romance ocupam boa parte do cérebro das brasileiras que não fazem sexo. A disciplina que tem o pior desempenho no ensino público é a matemática, e a profissão mais bem paga é a de juiz. Nunca existiu justiça no Brasil, pois como Darwin citou quando morou no Rio, todo corrupto tem pistolão e dá carteiraço. Eventualmente a vida neste planeta vai continuar sem a presença humana. Arrivederci, Gollum.
"

Texto retirado da coluna I SHOT MACUNAÍMA da revista VOID.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

UMA MENSAGEM PARA O ANO NOVO

Hoje é o primeiro dia do ano de 2010. Já rezei, acendi velinhas e incensos para o meu buda, organizei meus pensamentos para que no ano que entra eu seja uma pessoa melhor. Agora tô aqui fazendo o que ultimamente tenho gostado muito: deitada na minha cama lendo livros e escrevendo um pouco sobre coisas que penso, que quero e que não quero mais.

Nos últimos dez dias de dezembro venho me sentido meio estranha... Mas uma estranheza boa, diga-se de passagem. Finalmente pude clarear e ensolarar algumas idéias, apesar das chuvas ininterruptas e dias cinzentos que sempre influenciaram muito o meu estado de espírito.

E hoje ao acordar e revirar os livros de minha mãe à procura de boas palavras me deparei com um especial que ela me disse ser o seu "livro de cabeceira". Eu já havia lido e sou fã dessa escritora, Marina Colasanti. Então abri em uma página aleatoriamente e para minha surpresa fui presenteada não com boas palavras, mas com a tradução exata do momento que estou vivendo. E gostaria de compertilhá-las aqui no blog para quem quiser ler.

"A verdade é que a maioria das pessoas não é exatamente feliz. O que não equivale a ser infeliz. E aqui precisamos afinal tentar definir, ainda que de forma aproximada e, talvez, involuntariamente nebulosa, o que é a felicidade.

Felicidade não é alegria, embora possam andar juntas. O ser sempre alegre, esfuziante, brincalhão, pode no fundo não ser feliz. E uma pessoa feliz pode, por profunda consciência do mundo e de seus problemas, não ser alegre.

A felicidade, creio, é a proximidade de um conhecimento maior de si e dos outros, a possibilidade de uma maior integração com o universo.

Felicidade e paz interior são irmãs, ou são a mesma coisa, não tenho certeza. E por paz não se entenda o acomodar-se bovino, mas aquela espécie de serenidade que se alcança não ao dominar os próprios conflitos, mas ao conviver plenamente com eles (ou ao aprender a conviver com eles).

Felicidade é, de alguma maneira, sabedoria. Mas há graus de felicidade, assim como há graus de sabedoria, podendo uma pequena felicidade corresponder a uma pequena sabedoria. Por isso a felicidade não é propriamente alegre. Porque o ser feliz é um ser reflexivo, voltado para a compreensão do mundo, que do mundo absorve não só a beleza, como a miséria. O ser feliz é aquele mais generoso, de alma aberta não só para si, como para os outros.(...)

No processo de atendimento e entendimento dos seus desejos, tente sempre manter-se ligada em você mesma, respeitando aquilo que você pensa, em vez de se preocupar com aquilo que os outros vão pensar.

Somos, socialmente, educados para dar "boa impressão" e nossa primeira reação é olhar para o lado e procurar nos outros o efeito dos nossos atos. O mesmo ocorre com a felicidade. Se somos felizes procuramos não demonstrá-lo muito para não despertar "olho grande", e se não o somos cuidamos de escondê-lo atrás de sorrisos automáticos e de falsos "tudo bem". A felicidade plena e a plena infelicidade são assim frequentemente escamoteadas."

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

PEQUENO TRATADO SOBRE A MORTALIDADE DO AMOR

"Todos os dias morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios. Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.

Todos os dias morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria do que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.

Todos os dias um amor é assassinado. Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição. A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio ensurdecedor depois de uma discussão: todo crime deixa evidências.

Todos nós fomos assassinos um dia. Há aqueles que, feito Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias. Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho-papão. Outros confessam sua culpa em altos brados, fazendo de penico os ouvidos de infelizes garçons. Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime, e buscam por novas vítimas em salas de chat ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso. Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda com nomes paradoxais como O Amor Inteligente ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo A Paixão Tem Olhos Azuis, difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes.

Existem os amores que clamam por um tiro de misericórdia: corcéis feridos.

Existem os amores-zumbis, aqueles que se recusam a admitir que morreram. São capazes de perdurar anos, mortos-vivos sobre a Terra teimando em resistir à base de camas separadas, beijos burocráticos, sexo sem tesão. Estes não querem ser sacrificados, e, à semelhança dos zumbis hollywoodianos, também se alimentam de cérebros humanos, definhando paulatinamente até se tornarem laranjas chupadas.

Existem os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, comuns principalmente entre os amantes platônicos que recordarão até o fim de seus dias o sorriso daquela ruivinha da 4ª série, ou entre fãs que ainda suspiram em frente a um pôster do Elvis Presley (e, pior, da fase havaiana). Mas titubeio em dizer que isso possa ser classificado como amor (bah, isso não é amor; amor vivido só do pescoço pra cima não é amor).

Existem, por fim, os amores-fênix. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos anos, da TV ligada na mesa-redonda ao final do domingo, das calcinhas penduradas no chuveiro e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram - teimosos, e belos, e cegos, e intensos. Mas estes são raríssimos, e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. Mas não quero acreditar nisso.

Um dia vou colocar um anúncio, bem espalhafatoso, no jornal.

PROCURA-SE: AMOR-FÊNIX
(oferece-se generosa recompensa)"


"Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor" (texto de Alexandre Inagaki)

AGRADECIMENTO ESPECIAL A JONAS MAIA QUE ME ENVIOU ESSE LINDO TEXTO POR E-MAIL.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

LIBRA

Estamos quase fechando a temporada do signo de libra. Já faz um tempo venho querendo escrever sobre esse signo, que para mim é o melhor do zodíaco.
Os meses de setembro e outubro são particularmente muito bons para mim, sempre. E assim, eu tenho uma empatia gratuita pelos aniversariantes desses meses e mais ainda pelos librianos.
Nunca achei que teria tanta simpatia assim... Um bom exemplo disso é a minha irmã (que faz aniversário hoje), Luciana. Desde pequenas brigávamos como cão e gato. Já chegamos a ficar um ano sem conversarmos.
Mas aí o tempo foi passando, nós duas amadurecemos. Depois cada uma "para o seu lado", a distância, a saudade, enfim, viramos grandes amigas...
Com a amizade veio também a relação com o signo dela. Eu vi que em muitas situações, a serenidade dos librianos é fundamental. E tem também a grande facilidade que eles têm em se relacionarem. Se dão bem com todo o mundo... Meu Deus!
Então está aí a minha homenagem aos librianos!
E parabéns irmã! E tenho que confessar: morro de inveja... inveja branca, tá...

sábado, 17 de outubro de 2009

ACIMA DO SOL

SKANK

Assim ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer

Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis

Tão fácil perceber
Que a sorte escolheu você
E você cego nem nota

Quando tudo ainda é nada
Quando o dia é madrugada
Você gastou sua cota

Eu não posso te ajudar
Esse caminho não há outro
Que por você faça

Eu queria insistir
Mas o caminho só existe
Quando você passa

Quando muito ainda pouco
Você quer infantil e louco
Um sol acima do sol

Mas quando sempre é sempre nunca
Quando ao lado ainda é muito mais longe
Que qualquer lugar

Ôo, um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer

Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis

Se a sorte lhe sorriu
Porque não sorrir de volta
Você nunca olha a sua volta

Não quero estar sendo mal
Moralista ou banal
Aqui está o que me afligia

Ôo, um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer

Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ALMA GÊMEA

"... - Provavelmente era. O problema é que você não entende o que essa expressão significa. As pessoas acham que a alma gêmea é um encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora..."

Trecho retirado do livro Comer Rezar Amar de Elizabeth Gilbert.